A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) participou, nesta terça-feira (7), da 56ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Milho e Sorgo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Entre os destaques da Câmara esteve a apresentação do pesquisador e chefe de Relações Internacionais da Embrapa, Marcelo Morandi, que trouxe uma análise sobre as transformações do cenário global e seus impactos para o agronegócio brasileiro, com foco nas mudanças que estão ocorrendo na China, no Acordo Mercosul-União Europeia e nos novos requisitos de competitividade para as cadeias produtivas.
Morandi ressalta que o agronegócio brasileiro vive um momento de transformação no cenário global. As mudanças na geopolítica marcada pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, os novos acordos comerciais, as rápidas mudanças marcadas pela tecnologia e inteligência artificial e a crescente exigência por sustentabilidade e rastreabilidade tem redesenhando a forma como os países se posicionam no mercado internacional de alimentos. Diante disso, o Brasil precisa ampliar sua visão estratégica para manter sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo.
Sustentabilidade
De acordo com Morandi, a China, principal parceira comercial do agronegócio brasileiro vem promovendo uma série de mudanças em seu modelo de desenvolvimento. Atualmente, o país está sob o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que tem como eixos a segurança alimentar, a autossuficiência, a modernização, a resiliência, o estímulo ao mercado interno e a sustentabilidade.
Morandi também destaca que o Acordo Mercosul-União Europeia reforça a importância da rastreabilidade e da conformidade ambiental nas relações comerciais. Dessa forma, a sustentabilidade já deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser requisito fundamental para o acesso aos mercados mais exigentes. Na avaliação de Morandi, esses dois marcos devem guiar o posicionamento do Brasil no agronegócio para que o país continue se destacando no setor e mantenha sua competitividade internacional.
Biotecnologia como aliada
O chefe de Relações Internacionais da Embrapa ressalta ainda que as mudanças climáticas representam um dos principais desafios para o agro brasileiro. “Nós estamos neste momento, com temperaturas cada vez mais altas, e as nossas cultivares, nossos animais e os nossos sistemas de produção ainda não foram adaptados para uma realidade de 2 graus acima da média. Então, se a gente não investir fortemente agora em biotecnologia, em conhecimento e em ciência para adaptar essas culturas, teremos problemas em um curto período de tempo”, reforça ele.
Representantes da empresa Corteva, que também participaram da reunião da Câmara de Milho e Sorgo, destacaram que a aprovação de novas tecnologias agrícolas, especialmente biotecnologia e defensivos, ainda enfrenta uma série de trâmites burocráticos. De acordo com a Corteva, esse tema é recorrente, uma vez que a maior agilidade na avaliação e na liberação de novas tecnologias é considerada crucial para ampliar a competitividade da agricultura brasileira e enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Biomassa
Outro tema tratado na reunião foi o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) referente ao mercado de biomassa, firmado entre o Ministério Público e o Governo do Estado de Mato Grosso. O assunto preocupa os produtores de milho e a indústria de etanol, pois o acordo restringe o uso de biomassa proveniente da supressão vegetal autorizada por lei para abertura de áreas. Embora o TCA preveja um período de transição de seis anos, o Governo de Mato Grosso apresentou alterações no texto. A reunião teve como objetivo avaliar se a nova versão contempla as demandas do setor produtivo.

