O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, participou nesta quarta-feira (27) do Congresso MAIZAR 2026, realizado no Parque Norte, em Buenos Aires, principal encontro da cadeia do milho e sorgo na Argentina. Com o tema “Do potencial aos resultados”, o evento que contou com uma série de painéis reuniu líderes da produção, indústria, ciência, comércio e setor público para debater competitividade, investimentos e desenvolvimento para o setor.
Bertolini participou do painel “Do potencial aos resultados: o desafio agora é executar”, onde destacou a importância da articulação política do agronegócio brasileiro na defesa das pautas do setor. Durante o debate, ele ressaltou o papel do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), criado por entidades do setor agropecuário com o objetivo de defender os interesses da agricultura e prestar assessoria à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), por meio do acordo de cooperação técnica. Criado em 2011, o IPA desempenha papel estratégico no processo de institucionalização da agenda do setor, garantindo respaldo técnico às pautas e ações em tramitação no Congresso Nacional, além de promover a interlocução com os poderes Executivo e Judiciário.
“Quem faz parte da Frente Parlamentar da Agropecuária hoje são quase 300 deputados, de 513, e 44 senadores, de 81 senadores. Isso trouxe uma força política muito forte, que reflete a importância que o agro tem na economia brasileira. 30% do nosso PIB é do agro. Mais de 50%, ou em torno de 50%, do que exportamos vem do agro. Então, era importante que o setor político, quem estabelece as regras e faz as regulações, estivesse apoiado ou suportado por uma frente parlamentar que defendesse o agro brasileiro.”
Bertolini destacou o papel da Fundação Barbechando organização da sociedade civil argentina cujo objetivo é conectar o setor agropecuário ao Poder Legislativo. A instituição funciona como um think tank que assessora deputados e senadores, fornecendo dados técnicos para a criação de políticas públicas para o agronegócio. O presidente da Abramilho defendeu a participação ativa dos agricultores na política e nas discussões que impactam o setor agropecuário. “O trabalho que está sendo produzido aqui na Argentina pelo Instituto Barbechando é fundamental. Vocês têm que intensificar esse trabalho e os agricultores e pecuaristas da Argentina têm que se envolver na política”, afirmou.
Aliança Internacional
Ao citar a criação da Maizall (Aliança Internacional do Milho) que reúne Brasil, Argentina e Estados Unidos, Paulo Bertolini ressaltou que, mesmo concorrendo no mercado internacional de milho, os três países construíram uma agenda comum para atuar e defender conjuntamente temas estratégicos ligados ao agro. O presidente da Abramilho defendeu que entidades do agro brasileiro e argentino também podem trabalhar de forma integrada e ampliar a representação política em defesa dos interesses do setor.
“Os três países conseguiram encontrar uma pauta comum para trabalhar juntos no mundo afora: Europa inicialmente; depois Ásia, África, as Américas. Se três países que competem conjuntamente no mesmo mercado são capazes de encontrar uma mesma pauta de discussão e trabalhar juntos, independentemente do seu tamanho e das suas realidades. Acredito que instituições do agro, como no Brasil e aqui na Argentina, são capazes de se unir para escolher pautas comuns que afetem todos esses setores e trabalhar politicamente para essa realidade mudar”.

