A 55ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Milho e Sorgo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizada na terça-feira (10), trouxe importantes análises e discussões sobre o cenário atual da produção de milho no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que são cerca de 354 milhões de toneladas de grãos na safra nacional, com o milho podendo alcançar aproximadamente 138,4 milhões de toneladas, impulsionado pela recuperação da primeira safra e melhora da produtividade em algumas regiões.
Ainda de acordo com o levantamento da Conab, para o cultivo da primeira safra, a área apresenta crescimento de 7,2% estimada em 4 milhões de hectares, e a produção em 26,7 milhões de toneladas, aumento de 7,1% sobre a da safra anterior. “As previsões são otimistas, o clima tem se comportado e nós estamos colhendo a safra de verão e deveremos entrar na segunda safra com números animadores”, aponta Enori Barbieri, presidente da Câmara e vice-presidente da Abramilho.
Prejuízos pela Cigarrinha-do-milho
Também entraram em pauta desafios relevantes para o setor, especialmente os impactos da cigarrinha do milho e dos enfezamentos, considerados o principal problema fitossanitário da cultura. Estudo inédito realizado pela Embrapa e pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) quantificou o prejuízo dos produtores brasileiros com a praga entre as safras de 2020/2021 a 2023/2024. O estudo aponta que a perda foi de U$ 25,8 bilhões nesse período. Por safra, em média, o país deixou de produzir 31,8 milhões de toneladas de milho.
Custos
Além disso, o levantamento mostrou um aumento nos custos de inseticidas para o controle da cigarrinha-do-milho. Da safra 2020/2021 para a safra 2023/2024, o custo por aplicação subiu cerca de 19%, impactando diretamente no bolso do produtor. Pesquisadores que apresentaram o estudo reforçam que o monitoramento sistemático e as boas práticas de manejo são passos importantes para evitar o aparecimento da praga. Diante do problema que impacta as lavouras, a UPL e a Corteva Agriscience têm trabalhado no desenvolvimento de um novo produto voltado ao combate da cigarrinha-do-milho.
“Infelizmente os produtos esbarram na burocracia brasileira através de deliberações de órgãos reguladores que demoram anos após anos para liberar os produtos. Dessa forma, não conseguimos avançar em um tratamento que dê resultado imediato e positivo”, pondera Barbieri.

