A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) celebra, neste mês de agosto, um ano da missão que recebeu uma delegação da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) no Brasil e contribuiu para a abertura do mercado chinês ao sorgo brasileira. A iniciativa foi resultado de um trabalho conjunto de diferentes setores da cadeia produtiva e representou um importante passo para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China.
Durante a missão, realizada no ano passado e coordenada pela Abramilho, os técnicos chineses cumpriram uma agenda de visitas para conhecer de perto a cadeia produtiva do grão brasileiro. A programação teve como propósito avançar nas etapas necessárias para a conclusão do protocolo de exportação do cereal brasileiro. A delegação visitou propriedades rurais no município de Uberlândia, em Minas Gerais, onde acompanhou o processo produtivo do sorgo no país.
Os sanitaristas chineses também conheceram unidades de beneficiamento do cereal para entender os procedimentos adotados pelo setor e as medidas voltadas à segurança e à qualidade da produção destinada à exportação. Um ano após a missão, os resultados já estão sendo colhidos. Nesta semana, mais um navio carregado com sorgo brasileiro foi exportado para a China, destacando o crescimento e o avanço do cereal no mercado internacional. A expectativa é de que as exportações alcancem 30 navios ao longo deste ano.
O trabalho para fortalecer a cadeia produtiva continua. Na sexta-feira passada (14), a Abramilho, em parceria com a Aprosoja Maranhão, CropLife, UNEM – (União Nacional do Etanol de Milho), Inpasa, Coreva e Embrapa Milho e Sorgo, participou do evento “Conexão Sorgo Brasil” em Imperatriz, no Maranhão, para celebrar a expansão da cultura no Brasil e o avanço do Projeto de Lei que estabelece o Dia Nacional do Sogro. O evento também contou com a participação do deputado federal Hildo Rocha (MDB), relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O projeto foi aprovado e segue agora para análise do Senado. Enquanto entidades trabalham para ampliar, abrir mercados e fortalecer a cadeia produtiva, os produtores rurais também contribuem para o crescimento do sorgo no país. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), houve um aumento de 20% na produção do sorgo. O estado do Maranhão apresentou um dos avanços mais expressivos, com crescimento de 115% na produção. O aumento da produção, aliada à abertura de novos mercados, reforça a importância dessa aliança entre produtores, entidades do setor, e das instituições de pesquisa para fortalecer o potencial do sorgo.
Um cereal que veio de longe
Originário da África e domesticado há mais de 5 mil anos, o sorgo se expandiu para outras regiões do mundo a partir do século XIX. Amplamente consumido em diversos países africanos e asiáticos, o grão pode ser consumido in natura ou transformado em farinha, utilizada na produção de bolos, biscoitos, barras de cereais e bebidas.
Resistente e versátil
O sorgo é uma cultura resistente a condições adversas, especialmente à seca, e por isso tem se consolidado como uma alternativa estratégica para os produtores. Entre suas vantagens estão tolerância ao déficit hídrico, menor custo de produção, boa adaptação a janelas tardias, menor pressão de pragas e doenças e maior eficiência em solos de menor fertilidade.
O cereal é versátil e atende diversas cadeias produtivas: ração para aves, suínos e bovinos, silagem de alta qualidade, etanol e bioenergia, além de produtos para alimentação humana, como farinhas, flocos e alimentos sem glúten. Essa variedade de usos amplia o mercado e facilita a comercialização, tornando o sorgo uma alternativa estratégica para diferentes perfis de produtores.
No Brasil, o cultivo é majoritariamente destinado à alimentação animal, sendo o principal substituto do milho na formulação de rações e oferecendo valor nutricional equivalente. Com a expansão da produção, o sorgo também vem ganhando destaque como fonte energética, atraindo investimentos crescentes para produção do etanol.


