A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), representada pelo presidente da entidade, Paulo Bertolini, acompanhou a missão oficial da Maizall (Aliança Internacional do Milho) realizada entre os dias 22 e 28 de março, na Espanha e na Itália. A Maizall reúne lideranças de associações de produtores de milho da Argentina, do Brasil e dos Estados Unidos, que se dedicam a debater formas de cooperação para enfrentar os obstáculos de acesso aos mercados internacionais associados à adoção de novas tecnologias agrícolas, especialmente em biotecnologia.
O principal propósito da missão foi fortalecer o diálogo internacional sobre biotecnologia agrícola, comércio internacional, e segurança alimentar. A agenda reuniu debates e uma série de reuniões com autoridades governamentais, parlamentares, representantes do setor produtivo além de organismos multilaterais, com destaque para encontros realizados no Congresso da Espanha e na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.
A delegação foi liderada pelo presidente da Maizall, Manuel Ron, e contou com a participação dos seguintes diretores: Paulo Bertolini (Brasil); Federico Zerboni (Argentina); Josh Miller (Estados Unidos); Harold Wolle (Estados Unidos); Nancy Martinez (NCGA – Estados Unidos) e Benno van der Laan, coordenador e Assessor da Maizall. Ao longo da missão, foram apresentados dados sobre os benefícios da biotecnologia aplicada à produção de milho. Incluindo ganhos de produtividade, eficiência econômica. Também foram abordados temas estratégicos como a importância de marcos regulatórios, especialmente no que diz respeito aos limites máximos de resíduos (LMRs).

Trocas
Nesses fóruns, os delegados da Aliança Internacional do Milho puderam trocar experiências sobre o cultivo do milho. A comitiva também esteve presente em uma reunião no Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, fortalecendo a cooperação internacional no setor. Durante o encontro, debatendo-se o papel dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) na produção de milho.

Biotecnologia
Na Espanha, a programação incluiu a presença de representantes da Maizall em mesas-redondas e workshops sobre a cadeia do milho, além de encontros com associações de produtores como a as com a ASAJA (Associação de Agricultores Espanhóis) e a COAG (Coordenadora de Organizações Agrárias e Pecuárias), que atua em defesa de pequenos agricultores. Nesses encontros, os representantes da Maizall puderam trocar experiências sobre o cultivo do milho.
A comitiva também participou de uma reunião no Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, fortalecendo a cooperação internacional no setor. Durante o encontro, foi abordado o papel dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) na produção de milho.

A Espanha mantém uma posição favorável à biotecnologia, sendo um dos principais defensores da modernização das regras europeias para Novas Técnicas Genômicas (NGTs). A importância das NGTs reside na sua capacidade de trazer soluções para desafios globais na agricultura. Autoridades e representantes do setor destacaram os desafios e entraves impostos pelo ambiente regulatório da União Europeia (UE). A missão da Maizall evidenciou o peso da Espanha como grande importadora de milho, especialmente das Américas, reforçando a interdependência entre mercados.
O governo espanhol, por sua vez, manifestou apoio à simplificação dos processos. A política agrícola do bloco é definida de forma colegiada pelos 27 países-membros, o que condiciona a implementação de medidas, mesmo quando há respaldo técnicos. Nesse contexto, a Espanha mantém elevada dependencia de importações de milho para sustentar sua cadeia de proteína animal.

Avanços
Na Itália, a agenda da Maizall incluiu reuniões na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), na Embaixada da Argentina e encontros com representantes do setor produtivo em Roma e na região da Lombardia. A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome e a pobreza no mundo.

A organização é referência mundial em dados estatísticos sobre agricultura, segurança alimentar e impacto ambiental dos sistemas agroalimentares. Embora a Itália ainda tenha restrições ao cultivo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), a delegação pôde observar uma abertura crescente ao debate sobre inovação, especialmente no contexto das Novas Técnicas Genéticas (NGTs).

Durante os encontros na FAO, representantes da organização reconheceram avanços recentes na abordagem institucional em relação à biotecnologia e demonstraram interesse em ampliar o diálogo com o setor produtivo. Iniciativas brasileiras, como o programa Prospera, foram destacadas como exemplos de impacto positivo para pequenos produtores.
As discussões na Itália também evidenciaram a necessidade de ampliar o acesso à informação qualificada sobre biotecnologia entre produtores e entidades do setor. Questões comerciais, como possíveis restrições relacionadas a limites de resíduos (LMRS), foram apontadas como pontos de atenção para o comércio internacional.
Mercosul-UE
A delegação da Maizall também participou de encontros importantes com a Confagricoltora (Confederação Geral da Agricultura Italiana), no Palazzo della Valle, em Roma. Durante a reunião, o presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, apresentou um panorama da produção de milho no Brasil, destacando o aumento das exportações, destinação, práticas agrícolas, biotecnologia e os avanços do país em sustentabilidade.
Os representantes da Maizall participaram de uma reunião com a Confagricoltora para tratar sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, assinado em 17 de janeiro deste ano, cujas tratativas iniciaram-se há vinte e seis anos. O Acordo anuncia uma nova etapa para a inserção econômica-comercial e política do Brasil, com potencial para ser um pilar chave na transformação produtiva.

Estratégia e cooperação
A missão da Maizall reforça o papel estratégico da cooperação internacional na promoção de sistemas agrícolas mais produtivos, sustentáveis e baseados em ciência. Para a Abramilho, a participação brasileira nesse diálogo é fundamental para garantir competitividade ao milho nacional e contribuir para a segurança alimentar global e para a disseminação da biotecnologia.

