USDA pode trazer área maior de soja no reporte desta sexta-feira (30)

Durante toda esta semana, o mercado de grãos, tal qual os traders se ajustaram e se posicionaram à espera de dois novos boletins que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta sexta-feira, 30 de junho.

O mais importante deles é o de área de plantio da safra 2017/18, com números atualizados em relação aos dados trazidos pelo departamento em março. Além desse, chega ainda o reporte com os estoques trimestrais norte-americanos na posição de 1º de junho.

Área de Plantio

Para o analista sênior do portal internacional DTN – The Progressive Farmer, Darin Newsom, as perguntas que vêm sendo feitas em torno da disputa soja x milho para a área nos Estados Unidos finalmente serão respondidas.

“Eles farão ou não farão isso? Ele fizeram ou não fizeram isso? O USDA irá trazer, apenas pela segunda vez na história, a área de soja maior do que a de milho? Os produtores americanos plantaram, replantaram ou re-replantaram alguns acres de milho só para ainda terem esse número a frente da soja?”, questiona o especialista.

Para Newson, com algumas respostas para estas perguntas, a reação no mercado futuro pode acontecer, principalmente entre os contratos que se referem à safra nova na Bolsa de Chicago.

Até lá, o mercado segue na tentativa de ir precificando e especulando em cima de algumas expectativas dos traders para estes números.

No caso do milho, se espera uma área plantada que poderia ficar entre 36,02 e 36,67 milhões de hectares (de 89 a 90,6 milhões de acres), com uma média de 36,35 milhões. Em março, O USDA trouxe uma estimativa de 36,42 milhões de hectares e, na safra anterior, a área semeada com o cereal somou 38,04 milhões.

Para a soja, as projeções variam entre 35,98 e 36,83 milhões de hectares (88,9 a 91 milhões de acres), com uma média esperada de 36,4 milhões. Há três meses, o departamento americano estimou a área de soja em 36,21 milhões de hectares e, na temporada 2015/16 foram semeados 33,76 milhões de hectares com a oleaginosa.

“Os dados finais de área de plantio deverão ser fielmente conhecidos somente em outubro, ou novembro, ou janeiro, ou ainda um pouco além disso”, diz o analista.

Para a área total de trigo norte-americana, o mercado espera uma redução de 18,85 milhões – estimados em março – para 18,66 milhões de hectares (de 46,59 milhões para 46,07 milhões de acres).

Os números de área que chegam nesta sexta-feira são resultado do primeiro levantamento de campo desta temporada. Até então, o mercado tinha somente como referência os dados de intenção de plantio trazidos em março.

“Portanto, esse é um relatório muito importante, e vai dizer se serão confirmadas ou não as intenções de plantio. Assim, a partir desse relatório será possível ter uma noção mais real do tamanho efetivo que se possa projetar para a safra americana”, acredita o analista de mercado Flávio França Junior, da França Jr. Consultoria.

Estoques Trimestrais

Entre as expectativas para os estoques trimestrais de soja e milho são esperados números mais elevados do que os observados em 1º de junho do ano passado.

No caso da soja, os estoques americanos poderiam vir dentro do intervalo de 23,73 e 30,45 milhões de toneladas, com uma média de 26,7 milhões. Em março, os estoques da oleaginosa eram de 47,22 milhões de toneldas e, em junho de 2016, de 23,73 milhões de toneladas.

Para o milho, as projeções dos traders variam de 125,61 milhões a 136,15 milhões de toneladas. A média esperada é de 131,07 milhões, maior do que o total do mesmo período do ano passado, de 119,67 milhões de toneladas. Em 1º de março deste ano, os estoques dos EUA foram reportados em 218,86 milhões de toneladas.

Também para Darin Newsom, são, nesta sexta, os números dos estoques trimestrais os mais importantes do dia. “Para mim, estes números são a chave para a direção do mercado, agindo como ‘sinais passado’, contando sobre a força da demanda. Estes números não são as suposições mensais das estimativas mensais de oferta e demanda, mas sim números do quanto de grão está sendo realmente armazenado”, acredita.

Fonte: USDA