Os solos demandam cada vez mais fertilizante

Declaração é do presidente da Yara Brasil, Lair Hanzen, que também falou do potencial do Brasil no agro

O Brasil é um grande produtor de grãos, fibra e alimentos de todo o tipo. Na mesma linha vem a área de fertilizantes. Para ter uma boa colheita é preciso fertilizar o solo, respeitando a forma correta de manejo focado em produtividade. A estimativa para este ano que está encerrando é de aumento de 2% em volume de fertilizantes, um recorde. Mesmo assim o mercado nacional ainda demanda bem mais produto do que produz em solo brasileiro. Cerca de 80% dos fertilizantes vem de importação. O Brasil demanda 36 milhões de toneladas e produz apenas 10 milhões de toneladas. Em uso, no ano passado, a média mundial aumentou em 40%, enquanto no Brasil chegou a cerca de 300%.

O Brasil é um dos focos da Yara Fertlizantes, empresa multinacional que está investindo cada vez mais no país. Em um evento na Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), o presidente da Yara Brasil e vice-presidente executivo da Yara International, Lair Hanzen, destacou o potencial do país como produtor mundial de alimentos no que chamou de “celeiro do mundo”. O gestor avalia que, diante do desafio mundial de produzir mais com menos, sustentabilidade e tecnologia para suprir a demanda da população mundial que deve crescer significativamente até 2050, o Brasil tem muitos diferenciais: clima, solo, recursos naturais e diversidade de culturas. “A agricultura brasileira deve seguir tendo bons anos e, junto a esse cenário, a planta não produz fertilizante. A nutrição é muito importante para produtividade. Acreditamos que a safra que vem irá registrar um novo recorde em uso de fertilizantes. A medida que o agro do país cresce, o nosso negócio acompanha”, avalia.

De olho na oportunidade

A Yara atualmente detém 25% do mercado de fertilizantes no Brasil e 35% no exterior. E o solo brasileiro tem um perfil diferenciado: demanda mais fertilizantes com fósforo e potássio, exigindo uma adequação da empresa, antes focada em nitrogenados. Pensando no agricultor brasileiro a Yara lançou, no começo deste ano, o fertilizante Yara Basa. Entre as características diferenciadas está o de ter no mesmo grânulo o NPK ((nitrogênio, fósforo e potássio), macronutrientes fundamentais para a nutrição das plantas, além de pelo menos outros cinco micronutrientes. É indicado para a adubação de base principalmente para a cultura da soja, como também para outras culturas como café, feijão e cana-de-açúcar. “O agricultor recebeu bem o produto e está feliz com o desempenho. Tendo tudo no mesmo grão ele consegue distribuição fácil nas linhas de semeadura, adubação uniforme e melhores resultados. Já temos muitos relatos de produtores que tiveram rendimento superior à adubação tradicional”, comenta Hanzen.

Para ampliar a produção do Yara Basa, a empresa está investindo na construção de um novo complexo em Rio Grande, sul do Rio Grande do Sul. Com investimento beirando a casa dos R$ 2 bilhões, o objetivo é dobrar a capacidade de produção de fertilizantes e misturas (granulação e acidulação). A obra está 80% concluída com previsão final para outubro de 2020. Com isso a capacidade passa de 650 mil toneladas de fertilizantes por ano para 1,2 milhão de toneladas ano. Nas misturas a capacidade sobe de 1,5 milhão de toneladas ano para 2,6 milhões de toneladas ano. “Esse será o maior e mais moderno complexo de fertilizantes da América Latina tanto em produção quanto distribuição”, destaca.

Com planejamento voltado para tecnologia e sustentabilidade, esta será a primeira planta 100% automatizada do país. O ensacamento será totalmente mecanizado, sem contato com humanos, diminuindo também os riscos à saúde dos funcionários do local. A Yara já opera com processo semi-automatizado em algumas de suas fábricas.

O que espera o setor para 2020

Hanzen entende que nesta safra o negócio não teve o desempenho esperado. Com o dólar alto o produtor esperou muito para comprar o fertilizante para a safra. Em contrapartida, as empresas têm limite de prazo para fazer a importação. A expectativa é que, com a diminuição dos efeitos da crise econômica, no ano que vem o desempenho seja melhor.

Entre outras entraves para o crescimento do agronegócio no país o presidente acredita que estão os problemas de infraestrutura e a burocracia para criar pontos privados para distribuição, por exemplo. “Nossa maior batalha será, com certeza, a Reforma Tributária porque afeta, diretamente, o agronegócio e os fertilizantes. Tentar mexer no ICMS entre os Estados”, completa.

AGROLINK – 28/11/2019