Clima desfavorável e preços baixos limitam o cultivo do milho safrinha 2017/2018

Custos de produção e preços baixos desestimulam o cultivo de milho safrinha, além do atraso na colheita da soja que limita a janela de plantio

A safra 2017/2018 começou com estimativa de redução de área na segunda safra de milho. Entre os fatores que fizeram o milho perder espaço estão os custos de produção, liquidez e o atraso da primeira safra, que limita a janela de plantio do cereal. De acordo com o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de fevereiro de 2018, os produtores devem reduzir a área semeada com o “milho safrinha” em 5,6% na comparação com a safra 2016/2017.

No Paraná, segundo maior estado produtor de milho, a redução de área deve chegar a 15%. O produtor Rosele Salvati, que cultiva soja e milho na Fazenda SS, em Cascavel (PR), é um dos produtores que vão reduzir consideravelmente a área plantada com o “milho safrinha” na temporada 2017/2018. Dos 120 hectares semeados na segunda safra 2016/2017, ele vai manter apenas 40 hectares na temporada atual. Segundo ele, não é financeiramente viável acompanhar os custos de produção. “Eu vou parar de investir no milho”, conta Salvati. “Vou substituir por um pouco de trigo e aveia para cobrir o solo.”

Plantio do milho safrinha

Até o dia 8 de janeiro, Salvati conseguiu plantar 9% da área da segunda safra de milho. “Faz cinco dias que não para de chover e a colheita de soja está toda parada. Era para estar com 50% da safra colhida e estamos entre 15% e 20% da área”, explica o produtor paranaense. Segundo o levantamento de colheita mais recente da consultoria AgRural, o atraso no plantio do milho safrinha é generalizado no país. Até quinta-feira (15/02), 26% da área total estimada para o Centro-Sul do Brasil estava semeada, ante 31% na média de cinco anos e 36% no ano passado.

Segundo o levantamento da Conab, além da redução de área plantada em 5,6%, a produção brasileira de milho segunda safra deve recuar 6,1%, com colheita estimada em 63,2 milhões de toneladas. “Fatores como deslocamento da janela de plantio, preços baixos do cereal e opções por outras culturas de segunda safra têm desestimulado os produtores rurais”, afirmou a Companhia.

Milho verão

O cultivo de milho primeira safra, conhecido como “milho verão” registra prejuízos causados por estresse hídrico em algumas regiões do Rio Grande do Sul. Apesar dos relatos de condições climáticas desfavoráveis no estado, nem todos os produtores gaúchos estão tendo problemas. Com um terço da área cultivada com o milho verão já colhida na fazenda Estância Nova, o produtor Rogério Pacheco espera produtividade superior a 200 sacas por hectares. “A chuva foi mal distribuída e houve um período com altas temperaturas, mas nós conseguimos ter uma safra normal”, conta Pacheco. A fazenda Estância Nova fica localizada em Carazinho (RS), uma região pouco afetada pelo veranico registrado na primeira safra

2017/2018 no estado.

Além de não ser prejudicado pelo veranico, a fazenda de Pacheco é beneficiada por um manejo cuidadoso. Segundo Pacheco, a maior prioridade na fazenda é o cuidadoso manejo da terra. “É o solo em primeiro lugar. Fazemos plantio direto há mais de 20 anos”, conta o produtor. “É uma área de terra fofa, de minhoca, com média de 3,5% de matéria orgânica. Com isso, a gente armazena a água no solo.” Segundo o agricultor, o diferencial na fazenda Estância Nova é o cultivo de ervilhaca, uma leguminosa que é “parente” da ervilha. Ele conta que a ervilhaca é uma ótima alternativa para rotação de coberturas. “Já estamos no quarto ano com a ervilhaca, então já fizemos o giro completo. Ela dá uma boa cobertura e escarifica o solo. Fica uma palha podre, as minhocas adoram a ervilhaca e ela deixa 80 pontos de nitrogênio para o milho, o equivalente a 200 quilos de ureia por hectare.”

Como a lavoura de milho verão 2017/2018 apresenta boas condições, Pacheco planeja encerrar a colheita até o fim de fevereiro. De acordo com a Emater-RS, a colheita do milho segue em ritmo considerado normal na parte norte do Rio Grande do Sul, onde as lavouras se encontram em estágio mais adiantado. No geral, o percentual de milho colhido no estado atingiu 32% das lavouras plantadas nesta safra, ficando dentro da média para o período.

Redução de área

Segundo Pacheco, a redução de área dedicado ao cultivo de milho no Rio Grande do Sul chegou a 50% nesta safra. “A tendência é o produtor sair do milho, mas nós ainda esperamos melhora do preço, que é o grande incentivador”, diz Pacheco. Na safra 2018/2019, ele quer manter 200 hectares para o cultivo de milho, mas afirma que o grande objetivo do plantio do cereal é melhorar a qualidade do solo e garantir a boa produtividade da soja.

Fonte: SFAGRO