Brasil pode superar EUA na exportação de milho

Ritmo de vendas do cereal pelos americanos foi fraco até outubro, com queda de 40% em relação a 2018

O Brasil poderá superar os Estados Unidos nas exportações de milho neste ano. Se isso ocorrer, os brasileiros assumiriam as exportações mundiais de mais uma commodity, uma vez que os Estados Unidos são os líderes mundiais nas exportações deste cereal.

Os brasileiros lideram as exportações de café, soja, carne bovina, carne de frango, suco de laranja e açúcar. Neste último caso, o país tem perdido participação devido à produção cada vez maior de etanol, em detrimento de açúcar.

Conforme dados registrados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o Brasil já atingiu a marca de 42 milhões de toneladas de milho exportados até a terceira semana deste mês. No ritmo atual, chegará aos 44 milhões até o final do ano.

Os Estados Unidos, que excepcionalmente tiveram um ano ruim nas exportações de milho, somaram apenas 36 milhões de toneladas de janeiro a outubro, conforme os dados mais recentes do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Esse volume é 40% inferior ao de igual período do ano passado.

Em 2017, os Estados Unidos exportaram 62 milhões de toneladas de milho. No ano seguinte, 52 milhões.

Se mantiverem esse ritmo fraco nas vendas externas, os EUA deverão fechar o ano com volume inferior ou próximo ao do Brasil. Mas, tradicionalmente, novembro e dezembro são meses de intenso volume exportado pelos americanos.

Se o ritmo das vendas melhorar nos últimos dois meses deste ano, e eles repetirem o último bimestre de 2018, o volume exportado somará 45 milhões de toneladas, um pouco acima do dos brasileiros.

As exportações brasileiras ocorreram em ritmo intenso porque o país teve uma produção recorde de 100 milhões de toneladas neste ano. Além disso, a qualidade do produto brasileiro e a competitividade, devido à queda do real, trouxeram grandes importadores ao país.

O representativo volume de cereal que sai do Brasil preocupa as indústrias processadoras de ração. Para completar o abastecimento interno, elas já planejam iniciar importações no primeiro trimestre do próximo ano.

A queda nas exportações do cereal pelos americanos ocorreu devido às expectativas iniciais de uma safra ruim, em função de problemas climáticos e atraso no plantio no Meio-Oeste.

Os produtores dos Estados Unidos, prevendo oferta menor no país, seguraram as vendas à espera de preços melhores. Sem o produto dos americanos, os importadores recorreram ao Brasil, à Argentina e à Ucrânia.

As exportações brasileiras de milho deverão render o recorde de US$ 8 bilhões neste ano, tornando o produto um dos principais da pauta de exportações do agronegócio.

As receitas dos exportadores norte-americanos somaram US$ 6,7 bilhões de janeiro a outubro, últimos dados disponíveis.

Arroz A Indonésia passará de importadora a exportadora do cereal, segundo estudo do escritório do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) naquele país.

Arroz 2 As exportações seriam, em 2020, de 100 mil e 500 mil toneladas do produto tipo prêmio.

Não é só aqui A presença chinesa nos mercados de carnes dos Estados Unidos e da Argentina provocaram elevação de preço para os consumidores dos dois países.

Carne bovina A produção americana sobe para 3,2 milhões de toneladas neste último trimestre e deverá atingir 12,3 milhões de toneladas em 2020.

Suínos Em outubro, os chineses ficaram com 19,4% da carne suína exportada pelos Estados Unidos. Em igual período do ano passado, tinham ficado com apenas 4,8%.

Vaivém das Commodities

Folha de São Paulo – 27/12/2019