Panorama do Milho e Perspectivas para a Safra 2016/2017 – Thomé Guth – CONAB;

O representante da Companhia Nacional de Abastecimento, Thomé Guth, iniciou seu discurso falando sobre o quadro de oferta e demanda do milho no Brasil e no mundo. Tratando ainda sobre a safra 2015/2016, os preços médios de milho pagos ao produtor tinham e ainda possuem relação direta com a paridade de exportação, ou seja, números da Bolsa de Chicago e a cotação do dólar têm interferência. Em agosto de 2016, por exemplo, a paridade de exportação estava em R$31,26/60kg no porto de Paranaguá/PR enquanto o preço pago ao produtor estava em R$28,48/60kg em Mato Grosso e R$32,75/60kg no estado do Paraná. No cenário externo, a expectativa é que os preços continuem baixos em virtude do recorde de safra que poderá ser alcançado, que de acordo com os números da USDA, estima-se em 1bilhão e 26 milhões de toneladas, com o estoque final em 220 milhões de toneladas.

Tratando especificamente de cada país, os EUA na próxima safra alcançarão uma safra recorde, algo em torno de 383 milhões de toneladas, seguido da China com 216 milhões de toneladas, que por sinal reduziu sua produção devido ao elevado estoque de passagem e um maior incentivo do governo chinês em plantar soja, e, o Brasil assume a terceira posição, com 82,5 milhões de toneladas. Já em relação aos principais países exportadores de milho, o Brasil sobe discretamente da terceira posição para a segunda, ficando atrás somente dos EUA. Tratando-se do balanço de oferta e demanda nacional, a produção para a safra atual 2015/2016 caiu drasticamente de 84 milhões para 67 milhões de toneladas de acordo com números da CONAB, e isso ocorreu devido problemas de seca que afetou o estado do Goiás e principalmente a região do Matopiba, assim como, queda de produção na 1ª safra por causa da escolha por plantio de soja que tem sido muito mais rentável. O cenário era basicamente de soja 1ª safra e milho 2ª safra. Mesmo com essas adversidades, e sem falar no alto custo de logística, o Brasil tem utilizado o Arco-Norte para exportação, e se destaca por ser o segundo maior exportador mundial de milho, tendo como principais compradores os países como Vietnã, Irã e Coréia do Sul, que reconhecem a qualidade do milho brasileiro superior ao milho americano.

O consumo concentra-se em 53 milhões de toneladas, com expectativa de aumento de 2 milhões de toneladas para safra 2016/2017, em virtude dos setores de aves e suínos estar em ascensão. Thomé também divulgou um quadro comparativo da rentabilidade entre milho (custo de produção a R$34,58/60kg) e soja (custo de produção a R$76,13kg/60kg) em diversos estados, dando destaque ao estado do Paraná, mais especificamente no município de Campo Mourão/PR, na qual, a produtividade média do milho era de 8500 kg/ha e a da soja 3000kg/ha, e o que os números apontaram foi de boa rentabilidade para ambas culturas, sendo a principal diferença a margem líquida que acabou favorecendo a soja. R$42,12/60kg para a soja em comparação com R$13,11/60kg para o milho.