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Inicia colheita do milho na região

Há cerca de 15 dias, a região do Planalto Médio, composta por 70 municípios, iniciou a colheita das lavouras do segundo grão de maior importância econômica para a região. Segundo um engenheiro-agrônomo da Emater, foram cultivados pouco mais de 253 mil hectares de milho na região. Produtores enfrentam ainda o baixo preço

Daiane Colla

Há cerca de 15 dias, a região do Planalto Médio, composta por 70 municípios, iniciou a colheita das lavouras do segundo grão de maior importância econômica para a região. Segundo o engenheiro-agrônomo da Emater, Claudio Dóro, foram cultivados pouco mais de 253 mil hectares de milho na região. A previsão inicial era de colher em torno de 1,5 milhão de toneladas do grão, entretanto, a produção não deverá ultrapassar 1,1 milhão de toneladas.

A redução de 30% na produção é reflexo direto da falta de chuvas, que atingiu a região por cerca de 80 dias. Dóro explica que as precipitações começaram a ficar escassas em 10 de novembro e que retornaram de forma mais efetiva somente depois da segunda quinzena de fevereiro.

O grande problema é que a diminuição do volume de chuvas ocorreu exatamente em um período crítico da lavoura de milho, que necessita de umidade constante para garantir uma boa produtividade. "Essa quebra se deve à falta de chuva no momento mais crítico da lavoura, na fase de pendoamento, formação de espiga e enchimento de grão", observa Dóro.

Como reflexo da redução no volume de chuvas, houve queda nos rendimento das lavouras. O engenheiro-agrônomo afirma que a produtividade tem variado de 45 sc/ha até 100 sc/ha, sendo que, em média, cada hectare está produzindo cerca de 70 sacas.

Na propriedade de João Kurtz Amantino, a colheita iniciou ontem e está sendo considerada boa. Em média, as máquinas estão colhendo 100 sc/ha. Apesar de uma boa média, ela segue inferior a colheita do ano passado, quando 130 sacas por hectare foram colhidas.

A quebra na produtividade irá atingir diretamente o bolso do produtor. Isso porque o custo de produção de cada hectare de milho ficou em R$ 1.375, ou seja, uma média de 74 sacas por hectare. Dependendo de quanto o produtor irá colher, ficará difícil pagar as dívidas. O preço da saca de milho no mercado físico é de R$ 18, valor 15% menor que no mesmo período do ano passado, quando a saca estava custando R$ 21.

A colheita na região de Passo Fundo deverá intensificar-se nos próximos dez dias, quando a grande maioria dos produtores inicia colheita. Conforme Dóro, a produtividade média das lavouras daqui está um pouco acima de outras cidades da região, já que, além de um solo mais fértil, contou com um volume mais regular de chuva.

Soja

A chuva das últimas semanas foi fundamental para interromper a sequência de perdas nas lavouras de soja. Mesmo assim, a Emater estima uma quebra de cerca de 10% na produção do grão. A previsão inicial, de colher 1,9 milhão de toneladas, caiu para 1,7 milhão de toneladas nos 727 mil hectares destinados a soja na região.

Atualmente, as lavouras encontram-se em fase de formação de vagens e enchimento de grãos. A fase é uma das mais críticas do desenvolvimento da soja, por isso a necessidade de chuvas frequentes e bem distribuídas. "O clima deu uma certa tranquilidade ao produtor nesses últimos dias", destaca.

Com o bom volume de chuvas dos últimos dez dias, o produtor voltou a respirar aliviado, já que a expectativa de uma boa safra de soja está mantida. Agora a preocupação é com a incidência de doenças. Por isso, Dóro recomenda monitoramento constante da lavoura e realização de controle químico.

Chuva deve voltar

A previsão é de que hoje à noite volte a chover. Nuvens de instabilidade devem chegar à região, provocando precipitações de fraca intensidade. A temperatura deve ficar entre os 20ºC e 32ºC.

Amanhã a ocorrência de chuva se mantém, ainda de fraca intensidade. Passada a instabilidade, o sol deve retornar, permanecendo durante todo o final de semana. As máximas poderão chegar aos 29ºC nestes dias.

(O Nacional – Passo Fundo/ RS, 04/03/2009)

 
 

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