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O bom e tradicional milho verde

 

Apesar de não existir levantamento oficial, o plantio e consumo de milho verde vêm crescendo todos os anos no Brasil, exigindo dos produtores rurais maior especialização para atender a demanda de um mercado mais exigente. A afirmação é do pesquisador científico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo, Israel Alexandre Pereira Filho. O engenheiro agrônomo Aparecido Cezário Doná, que trabalha para a multinacional Monsanto, principal vendedora de sementes para o plantio de milho verde ou pamonha, afirmou que a atividade é uma alternativa local para os produtores da região que pretendem escapar das oscilações das commodities agrícolas não apenas plantando e colhendo, mas processando e embalando o produto para ser vendido na região.

 

Ilson Donizeti da Cruz, proprietário de box no Ceasa de Rio Preto, conta que começou a vender milho verde há 20 anos em sociedade com os irmãos e, hoje, cultiva 12 alqueires de milho irrigado em Votuporanga para suprir necessidade da própria empresa Frutas e Legumes Jaci. Ele disse que adquire 75% do volume necessário de parceiros. A principal fornecedora de sua empresa é a MF Corretora, pertencente à Maria Felícia de Lima, empresária proveniente de Goiás que trabalha com milho verde há 30 anos e tem empresa sediada em Guaira há seis anos. Maria Felícia também concorda que a procura por milho verde cresceu, mas adverte aos produtores que, antes de pensar em plantar, é necessário firmar parcerias com os compradores já que o milho verde pode passar do ponto ideal de colheita rapidamente e, com isso, o produtor ficar com o prejuízo.

 

Embrapa lança livro

 

Por causa do aumento na procura de informações sobre o cultivo de milho verde, a Embrapa Milho e Sorgo, de 7 Lagoas (MG) vai reeditar o livro “Cultura do Milho Verde” (2003), organizado por Israel Filho. Este ano, a Embrapa editou um manual da Coleção Plantar com nome Milho Verde. O milho verde, milho pipoca e o milho para canjica, entre outros, integram o grupo chamado de milhos especiais. Para o pesquisador, plantar e colher milho verde é uma atividade que pode ser realizada por produtores com qualquer tamanho de propriedade ou área, mas que requer cada vez mais profissionalização dos agricultores. Segundo Alfredo Tsenushiro, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), há alguns anos a oferta de milho verde no Estado de São Paulo era restrita ao período das águas. Ele disse que, mesmo com o crescimento do consumo, até hoje, a cultura de milhos especiais não conta com dados sobre a área plantada e volume de produção.

 

Israel Filho afirmou que o milho verde é consumido em todo o País. No caso do Estado de São Paulo, uma região que vem se destacando é a de Sorocaba, onde o calor mais ameno não é tão favorável à proliferação de fungos e pragas. Com o constante crescimento do consumo de milho verde, ele acredita que dentro de pouco tempo a atividade vai passar a ter maior importância e ser motivo de levantamentos agrícolas. Maria Felícia de Lima contou que, por meio da corretora, distribui cerca de 11 mil toneladas de milho verde para vários Estados brasileiros, e até para o Uruguai, por meio de revenda em Porto Alegre.

 

 

Ciclo de produção é menor que do ‘milho grão’

 

O agrônomo Aparecido Doná disse que o preço do milho verde chegou a R$ 250 por tonelada este ano e que o ciclo de produção varia entre 90 e 100 dias contra um ciclo que se estende até quase 180 dias do milho grão. O produtor Ilson Donizeti da Cruz informou que o preço ao produtor em Rio Preto variava entre R$ 230 e R$ 240. A empresária Maria Felícia de Lima afirmou estar pagando cerca de R$ 220 pela tonelada de milho, mas disse que na safra o preço vai cair para a faixa de R$ 170 a R$ 180 em função do aumento de oferta que ocorre no período. O pesquisador Israel Alexandre Pereira Filho disse que é comum o agricultor usar sementes de milho convencional e, por causa de preços mais atraentes, colher as espigas mais cedo (em ponto de pamonha) e vender como milho verde.

 

Por causa da queda no valor do produto e para assegurar o fornecimento do produto durante todo o ano, Ilson da Cruz e os irmãos investiram no plantio irrigado de milho verde. Com essa técnica, os produtores que atuam no setor garantem oferta de milho, fazendo plantios sucessivos de acordo com o planejamento do volume que vai ser necessário em cada período.

 

 Plantio escalonado

 

O plantio é escalonado para que a colheita possa ser feita com mais tranqüilidade e assegure o produto ao longo do ano. A colheita de milho verde, explica Aparecido Doná, é um dos momentos que exige mais atenção do agricultor. O período de grão oscila entre 4 e 5 dias, dependendo da variedade plantada, e qualquer demora pode fazer com que perca o ponto ideal o que significa prejuízo. Ele disse que a cultura deve ter espaçamento entre ruas diferenciado do utilizado no milho grão para facilitar a colheita. Outro benefício da irrigação é a possibilidade da aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas, processo que Israel Filho denomina de “quimigação”. O uso desse recurso é imprescindível para a colheita de espigas em, padrões de aparência consideradas adequadas.

 

Ilson da Cruz planta milho duas vezes por ano e intercala o plantio com uma leguminosa para rotacionar a área e reduzir a presença de pragas e fungos que atacam a lavoura. “Vamos plantar milho, crotalária e milho em sistema de plantio direto”, disse. Ele recomenda que os produtores que pretendem produzir milho verde irrigado utilizem sistema de pivô central para viabilizar a aplicação de defensivos agrícolas. Em media são realizadas de 4 a 6 aplicações de defensivos ao longo do desenvolvimento da cultura. O comerciante e produtor afirmou que insetos como a lagarta do cartucho, e fungos que danificam os grãos das espigas causaram nos últimos anos severos danos à lavoura. Uma das expectativas dos produtores é que sejam desenvolvidas variedades de milho transgênicos para reduzir por conta de lesões provocadas pelas pragas.

 

 Padrão

 

Israel Filho afirmou que com o desenvolvimento de sementes específicas para o milho verde, criou-se um padrão com espigas na faixa de 17 centímetros de comprimento, grãos profundos e claros e com a casca (palha) que não fique branca rapidamente. Além disso, as espigas devem apresentar um tempo maior de prateleira, segundo Israel Filho, entre 8 e 9 dias numa temperatura de 4 graus centígrados. “O tempo de prateleira é um dos fatores importantes para a comercialização. Ninguém vai comprar um milho para vender que em dois dias está murcho”.

(Diário da Região - São José do Rio Preto - SP - 09.11.08 - Pág. 6 e 7 Agrodiário)

 

Garantia de preços é fundamental para proteger safrinha

 

Se as políticas públicas de garantia de preços e o uso dos mecanismos de comercialização não tiverem cuidadosa e competente administração para inibir a pressão de compradores internos e forçar uma baixa de preço em função dos estoques atuais, os produtores de milho diminuirão o plantio da safrinha. Com isso, o país não terá uma próxima safra que garanta o abastecimento interno e um volume expressivo de exportações. Quem alerta é o presidente-executivo da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Odacir Klein. Segundo o executivo, os dados atuais já prenunciam tal reação. De acordo com as informações da Conab e do Ministério da Agricultura, a safra de milho 2008/09 está prevista em 55 milhões de toneladas. "Ou seja, a produção sofrerá um decréscimo de 6% em relação à de 2007/08", antevê. A previsão da Abramilho, também para o próximo período, é de que o mercado interno absorverá 47,5 milhões de toneladas de milho, enquanto as exportações deverão repetir o volume de 5,5 milhões de toneladas estimados para este ano.

 

 "A se configurar tal cenário, o Brasil estará produzindo milho para um apertado abastecimento interno, em 2008/09, e com nenhuma previsão de aumento na quantidade exportada que, indubitavelmente, já terá sido muito baixa em 2008", analisa Klein. "Ao final de 2008, o Brasil terá um expressivo estoque de passagem, que poderá ser superior a 13 milhões de toneladas, o que corresponde a aproximadamente 70% do volume colhido na safrinha", observa. Os estoques brasileiros estão concentrados no Paraná e no Centro-Oeste, ocupando espaços de armazenagem que, no final do primeiro trimestre de 2009, terão que ser cedidos para a estocagem da safra de soja. Enquanto isso, os estoques mundiais de milho continuam baixíssimos. De acordo com o presidente-executivo da Abramilho, a busca de milho pelo mercado externo deverá aumentar, como também crescerá o consumo mundial de proteínas de origem animal. Ao mesmo tempo, é certo que os Estados Unidos continuarão usando grandes quantidades de milho para a produção de etanol.

 

Tiro no pé "Diante de tal quadro mundial, seria irresponsável que, no Brasil, o poder público e a iniciativa privada não estimulassem uma comercialização compensadora para o produtor de milho, mesmo com a atual expressão dos estoques. A expectativa da Abramilho é de que a visão de futuro prevaleça, vencendo as dificuldades momentâneas. Ninguém, em sã consciência, pode querer dar um tiro no próprio pé", assevera Odacir Klein. Para ele, a hora é de diálogo entre os setores interessados. "Não podemos nos deixar levar por um quadro momentâneo levando o Brasil, em um futuro próximo, a não dispor de milho suficiente para atender a grande demanda interna e mundial, que continuará em alta. Não vamos nos esquecer que proteínas animais são geradas com rações e as rações são geradas com milho". (Abramilho) (Fonte: Safras & Mercado

 

Link: http://www.fertimourao.com.br/informativo.php?id=1004

(Fertimourão, 06/11/2008)

 

 
 

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